Tá liberado ser poderosa

Já notou que a maioria das mulheres sempre busca se diminuir seja quanto a aparência, quanto a formação, quanto a qualquer coisa que a enalteça ou a exalte? Já notou quantas vezes, no passado ou no presente, você mesma já fez isso? E por acaso você sabe o que acontece quando você para com isso? Quer descobrir?

Desde cedo as pessoas nos dizem para tomarmos cuidado com o que somos. Não para tomarmos cuidado para termos escrúpulos, ou para não sermos corruptas. Devemos tomar cuidado para não sermos poderosas demais. Não sermos rígidas demais. Não sermos inteligentes demais. Não ganharmos demais. Afinal, tudo isso assusta as pessoas… Né nom?

liz

Para ilustrar um pouco do que digo, quero mostrar este texto que me saltou aos olhos na timeline, compartilhado por uma das minhas páginas favoritas, a Não Sou Exposição:

“Desde menina você é ensinada a se odiar aos poucos.
Afinal, ninguém suporta as meninas convencidas.
Você não deve se reconhecer inteligente, ou se achar tão esperta. Não deve se sentir bonita, inclusive você nem é mesmo, com essa barriga cheia de dobrinhas e este rosto doente cheio de espinhas, o cabelo que não é o da revista.
Se você fizer alguma coisa bacana, esconda ou diminua. Se você é boa com idiomas, ou desenha, ou gosta de música, ou é uma boa esportista, não tenha orgulho disso. Aprenda que na realidade você “nem é tão boa assim”. Quando alguém te elogiar, discorde, diga que nem é tanto assim.
Pessoas gostam de meninas humildes.
Aos poucos, de tanto repetir a postura você internaliza. Aprende que na realidade, você realmente não é tão boa e nem faz nada tão bem assim. Você desenha, né, meio torto, não é tão legal quanto o das outras pessoas, melhor não mostrar. Você está gorda, melhor uma roupa mais frouxa, começar outra dieta. Olha o seu rosto, é realmente hora de por mais maquiagem.
Em doses homeopáticas você aprende que é insuficiente.
Não aceita mais elogios e duvida de si mesma. Não reconhece nada de bom no que faz. Se está sozinha é óbvio que é porque é pouco atraente ou interessante, e quando alguém se relaciona com você, você dá graças a deus pela misericórida daquele ser em te querer. Se ele te largar nunca mais vai aparecer ninguém.
Bem vinda ao rolê da baixa auto estima.
A única coisa que a cultura da auto-depreciação traz é um elevado índice de pessoas depressivas.
Ame-se.
Sinta-se bonita. Tire o foco dos defeitos. Permita-se gostar de si mesma e se isto for ser prepotente, que seja.
Quando alguém te fizer um elogio, pare de discutir. Não faz nenhum sentido, se você pensar bem, insistir em convencer alguém – e convencer a si mesma – de que você é pouco.
Eu tenho uma amiga que quando alguém diz pra ela “você é linda” ela responde de volta “brigada sou mesmo”. As pessoas não lidam bem, pra ser bem honesta. Como alguém pode SE achar linda? Sozinha? Assim, sem nenhum traço de auto diminuição? Isto é permitido por lei?
Uma vez alguém tentou miná-la:
– Você é linda.
– Valeu, sou mesmo.
– Nossa você se acha.
– Claro que não. Cê acabou de falar que sou mesmo ué. Então qual o problema em saber?
Não tem nenhum problema.
Permita-se achar incrível hoje. Permita-se parar no espelho olhando não pras espinhas na testa mas pra como seu olho tem um formato super bonito ou seu cabelo hoje está muito legal. Permita-se olhar pros teus estudos não focando naquela nota baixa em português, mas em como você se saiu super bem com álgebra. Permita-se se amar, e se alguém estranhar, problema.
Já passou da hora da gente abandonar este culto à baixa auto estima – e que se parar pra pensar, não faz sentido algum. Se acha, moça, se acha mesmo. Se acha muito.”
Ariane do Carmo

Indo além da beleza – que é pura construção social – quero completar com um caso que aconteceu comigo que é um exemplo que eu levo para todo mundo.

Certa feita conheci uma mulher linda e inteligente, formada em Engenharia e que tinha um emprego bem abaixo de sua capacidade, de sua formação e sua experiência. Mesmo assim ela estava naquele emprego havia anos e não mudava de lá. Um dia ela estava desabafando sobre o chefe dela que duvidou de uma decisão tomada e ela disse:

Eu sou formada em Engenharia. Sei do que estou falando! Quando eu falo, eu falo com propriedade!

Até então aquela mulher só tinha se mostrado de uma forma muito insegura, do tipo que pergunta se a pipoca de microondas está boa e se não estiver a culpa seria dela. Eu celebrei aquela frase e a repeti porque achei a coisa mais fantástica do mundo. E aí… ela me pediu desculpas pela sua suposta arrogância. Em resumo: ficamos mais meia hora entre ela se desculpando e eu mostrando que ela não tinha que se desculpar de nada, que ela tinha que se orgulhar. Por fim… Ela não acreditou e eu me senti mal por isso.

Quando eu ando na rua, as pessoas me dizem que gostam do meu ar de confiança e quando eu conheço as pessoas, aperto as mãos com firmeza, olhando nos olhos e – dependendo da ocasião – dando um sorriso gentil. E isso surpreende a maioria dos executivos – sim, os homens – que provavelmente esperavam um toque mais delicado de uma pessoa com um metro e meio de altura e cara de adolescente que não faz jus aos meus trinta e poucos anos. Mesmo assim, não é algo negativo. Muitos até falam que gostam do meu aperto de mãos. Que dá confiança. E quando eu falo algo que eu sei, como disse minha amiga, falo com propriedade. Assim, imagine quantas mulheres falam que querem ser como eu. Sim, ouço isso direto. E eu confesso que queria ver muito mais mulheres sendo como a eu de hoje em dia.

Voltando um pouco no tempo, eu obviamente não era assim. Eu já fui o tipo de pessoa que procurou emprego para o então noivo – naquela época – só para que ele parasse de se sentir diminuído porque eu ganhava mais. E eu me sentia culpada por isso. Eu também já fui do tipo que ouvia uma magra falando que estava gorda e, ao invés de dar uma desconstruída básica, eu prontamente me colocava perto dela e começava a me depreciar todinha, mostrando cada ponto do meu corpo, mostrando a gordura de um modo horrendo, me chamando de Free Willy, mostrando as celulites, até que no fim ela se sentia melhor e eu um lixo. E começava outra dieta maluca desenfreada que ia acabar mais um pouco com a minha saúde física e emocional. Sim, eu era um poço de autodestruição. E mesmo assim recebia incentivos para ser assim e, como um elefantinho de circo que obedece aos maus tratos do domador, eu me sentia uma boa menina.

Acontece que não demorou muito pra eu me ferrar. As pessoas passavam por cima de mim, roubavam ideias, projetos, ganhavam às minhas custas e eu sempre ficando para trás. Até que um dia, confesso que não sei como, surtei e decidi não ser mais assim. Foi quando eu recebi um elogio por uma nota alta na avaliação de equipe e eu disse:

Obrigada. Batalhei por isso.

E sabem o que aconteceu quando eu reconheci meu esforço?

A) O apocalipse

B) Todos os homens da empresa foram demitidos e vários clones meus foram empregados no lugar.

C) Me tornei líder de equipe e consegui trabalhar de uma forma de igual para igual onde ninguém era diminuído e até hoje tem gente que gosta de mim.

D) Nada. Voltei para a minha mesa e segui trabalhando.

Se você chutou D, saiba que você acertou. Mas, alguns meses depois, aconteceu a alternativa C.

Depois que eu comecei a reconhecer meu esforço, minhas batalhas, até minha sorte em alguns casos, minha beleza, meu valor (que eu não tenho que me dar, só tenho que sacar que eu nasci com ele), quando eu parei de me diminuir, a minha vida fluiu. E melhor ainda: sem atrapalhar a de ninguém. Ninguém do meu convívio tem medo de mim, nem sente inveja de mim. Algumas pessoas se inspiram em mim, eu me inspiro nelas, e a gente faz uma troca muito interessante de inspirações, trabalhos e projetos, porque a beleza da vida é a diversidade: alguém sempre vai ser melhor em uma coisa e você pode aprender com aquela pessoa, assim como ela pode aprender muito com você. É uma troca de conhecimentos e experiências à base do que eu chamo de permuta emocional/intelectual.

Ainda assim não é porque no meu convívio não tenho – ou não mantenho, não sei dizer – pessoas que não aceitam os meus pequenos sucessos, que eles não existam. Existem sim pessoas que são nocivas, que querem diminuir as pessoas para se sentirem seguros de si. E isso existe até mesmo em livros que deveriam ser de auto ajuda, mas que no fim só pioram a situação do ser humano.
Sim, eu já li um livro que deveria ser empoderador, mas que sugere às mulheres que não contem nada que possa ser maior que os feitos dos seus companheiros, caso contrário eles não vão ter mais tesão por elas.
Bom, se eu tenho um namorado que não consegue sentir tesão porque eu fui promovida, eu não consigo ter este namorado. Mas isso sou eu, né?

Sempre vai ter um que tenta distorcer o que você é, que tenta diminuir você. Portanto você não precisa fazer isso consigo. Na verdade não deve. Não pode mais. Apenas pare com isso.

O vídeo a seguir mostra bem isso:

Enquanto o homem é visto como chefe, a mulher é vista como mandona. Enquanto o homem é visto como persuasivo, a mulher é vista como agressiva. Enquanto o homem é visto como dedicado, a mulher é vista como egoísta. Enquanto o homem é visto como limpo, a mulher é vista como fútil. Enquanto o homem é visto como tranquilo, a mulher é vista como exibida.

Isso não quer dizer que alguém vai declarar guerra aos homens. Não é isso. É para reconhecer que sempre vai ter aquele que vai tentar te diminuir e fazer você desacreditar no seu potencial e você tem que acreditar nisso. Se você não acredita em você, então quem vai?

Ninguém vai parar a vida para sentar ao seu lado e falar “Olha amiga, você é isso, aquilo e aquilo outro de bom”. Pode até te lembrar disso, mas quem tem que entender, acreditar e sacar isso é VOCÊ.

Portanto, tá sim liberada pra ser poderosa, pra acreditar em você, para aprender com seus erros, encarar seus defeitos, exaltar suas qualidades e enaltecer o seu talento. É hora de você se fazer heroína da sua própria história.

E caso alguém venha falar alguma bobagem, faça a Beyoncé:

boss
Eu não sou mandona. Eu sou a chefe.
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