Não discriminem a palavra “Gordinha”

Sei que o nome do projeto que eu levo é “GORDAS Empoderadas” um dos objetivos é ressignificar a palavra GORDA. Porém, uma coisa que me incomoda muito é quando vamos fazer um trabalho para tal e as pessoas caem matando em outros projetos que usam a palavra “GORDINHA” sem entender que há  um certo benefício em usar a palavra.

“Gordinha” é um termo usado no diminutivo de forma a “amenizar” o fato de a pessoa ser gorda, como se fosse algo ruim e não é. Isso é gordofobia, eu sei. Mas nem todo mundo sabe.
Para quem não sabe, há um ano e meio atrás eu era a pessoa mais insegura que eu conhecia. Meu empoderamento se deu pela revolta, pela revolução, pela teimosia, como acontece com muita gente por aí. Mas nem todo mundo é ser assim.
E foi com a ajuda da palavra “gordinha” que eu comecei a aceitar o fato de eu ser gorda.
Através do Sou Gordinha Sim, trabalho da modelo Helena Custódio, comecei a aceitação e meu empoderamento, que logo passou para textos feministas da Polly do Lugar de Mulher e o ponto chave do meu empoderamento foi este texto aqui, onde eu escrevi este e-mail e recebi esta resposta. Daí começou todo o meu processo.
Ainda assim, demorei um pouco a me sentir bem com a palavra GORDA, por mais que eu tentasse, ainda me referia a mim como gordinha. Foi aos poucos, reforçando para mim mesma que esta palavra se referia somente ao meu corpo e não a um possível defeito, que eu consegui usar a palavra GORDA. Tanto que o nome do meu antigo trabalho – e link da fanpage – era “Ei, Gordinha!” e serviu como porta de entrada para muitas mulheres no empoderamento.
O que temos que analisar é que pessoas que sofrem gordofobia nem sempre sabem que isso existe. Podemos ver relatos se procurarmos pela hashtag #égordofobia situações em que as pessoas descobrem que são vítimas de preconceito e que as outras pessoas estão erradas em desrespeitar e não elas em serem quem são. E quem sofre com isso nem sempre lida bem com a palavra GORDA logo de cara, ainda mais na nossa sociedade onde a gordofobia é um preconceito velado e legalizado.
Quando uma pessoa magra usa para nós, já empoderadas – ou em um nível avançado – a palavra GORDINHA, é nosso dever corrigir pacificamente a pessoa mostrando que GORDA não é sinônimo de algo ruim, mas uma descrição do nosso corpo. Quando uma pessoa gorda usa para si ou para nós os conhecidos diminutivos, nós precisamos ajudar essa pessoa a desconstruir e mostrar que aquilo é uma falsa sensação de bem estar e uma forma de reforçar o preconceito. Eu costumo chamar os diminutivos de “LINHA DE FRENTE”, porque a artilharia pesada vem em seguida.
Diminutivos, por mais que sejam gordofóbicos, podem ser uma porta de entrada para o empoderamento sim. Um modo de chamar as pessoas para se empoderar, mostrando que aqui não é tortura nem lavagem cerebral e que não vamos enfiar goela abaixo pizzas gigantes falando SE AME GORDA IMEDIATAMENTE. Não! Este não é nosso trabalho. Precisamos ser mais cautelosas.
Se estamos em um trabalho ressignificando a palavra GORDA vista como ruim pela sociedade, por que não ressignificar os diminutivos para que eles sirvam a nosso favor?
No meio de tanta batalha precisamos compreender as necessidades de quem precisa da nossa ajuda e não forçar a barra. Nós mesmas não nos aceitamos por tanto tempo, por que as outras pessoas cevem se aceitar em 24h? Não devem e não vão.
Se você já usa a palavra GORDA normalmente, seja mais branda com quem usa os diminutivos. Nem todo mundo sabe da luta. Cabe a nós desconstruir quem está disposto a mudar.

Beijos

Mina Mostell ❤

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2 comentários

  1. Mina, eu queria conversar sobre umas coisas com você… existe algum e-mail (ou qualquer outro meio) em que possamos nos comunicar? Beijos!!!!

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