Betty Faria não gosta de mulher gorda…

Só fiquei sabendo hoje da declaração de Betty Faria sobre sentir repulsa de mulher gorda, de se sentir incomodada, mas muita gente já veio querendo saber minha opinião. Pois bem, lá vai.

Em primeiro lugar eu tenho repulsa da mídia gordofóbica. Não estou falando da Betty ou de outra pessoa específica. A gordofobia declarada da mídia me causa repulsa, e mais repulsa ainda sabendo que pessoas ganham em cima de preconceito.

A Betty é uma senhora que está há um tempo na mídia, provavelmente sempre foi muito cobrada e acabou desenvolvendo essa repulsa, esse incômodo, devido à construção que foi feita sobre o assunto na vida dela. Pena. Minhas melhores amigas são gordas e eu não sentiria repulsa delas mesmo se elas comessem insetos vivos brincando de Hakuna Matata. Mas até aí…

Eu já fui muito gordofóbica, mesmo sendo gorda. Tanto comigo quanto com outras pessoas, eu as tratava de uma forma que eu descontava nelas todo o ódio, o rancor, o nojo que eu tinha de mim. Provavelmente muitas pessoas ainda o fazem, mas não sabemos se este é o caso da atriz ou não. Estou falando de mim.

Até começar meu empoderamento, eu não percebia o quanto isso era ruim. Mesmo que eu me empoderasse e eu desejasse emagrecer, eu sei que eu já teria um pensamento diferente, mais empático e compreensivo. Eu sou radicalmente contra a bariátrica, porém estou apoiando duas amigas que decidiram fazer e meu carinho e apoio passam por cima de qualquer cirurgia com a qual eu não concorde.

Felizmente, rodeada de pessoas maravilhosas, eu acabei aprendendo que eu não posso me prender a julgamentos estéticos para gostar ou não de alguém. Aprendi que valores como atitudes, tratamento com as minorias e até seus potenciais oprimidos, educação, respeito, caráter, honestidade, entre outros, são termômetros mais interessantes do que aparência física para eu sentir admiração, afeto, incômodo ou repulsa. Isso eu, no meu aprendizado.

Particularmente, eu tenho repulsa de pessoas que não pensam o que falam e dão declarações (insira a minoria)fóbicas. Pessoas gordofóbicas, homofóbicas, transfóbicas, racistas, acefóbicas… Tenho repulsa de pessoas que matam outras por motivo banal. De políticos que, sabendo que existem pessoas morrendo de fome e frio, enchem os bolso de dinheiro com seus salários exorbitantes enquanto o povo só se lasca. Tenho nojo de pessoas que incitam o ódio contra outras, achando que nunca vai voltar para elas. Essas sim – entre outras – me dão nojinho.

Esse fato, claro, me lembrou da vez em que a atriz reclamou perguntando se as pessoas queriam que ela fosse de burca para a praia.

Velha baranga, sem espelho, e outras ofensas que, passada a raiva, me fizeram pensar na burca. Então querem que eu vá à praia de burca, que eu me esconda, que me envergonhe de ter envelhecido? E a minha liberdade?”

Pois é, Betty. Nós também, quando alguém, especialmente com essa visibilidade, diz que tem repulsa por uma pessoa gorda, enfrentamos muitos xingamentos. E nem sempre a raiva passa, porque nem sempre a humilhação passa. Não é nada legal.

De qualquer forma, é realmente uma pena que você se sinta incomodada com mais de 40% da população mundial (é gente pra caramba) apenas pelo fato de ser gorda. Sim, uma pena porque somos pessoas. E muitas de nós somos legais.

Eu não sinto, minhas amigas magras não sentem – ainda bem senão não seriam minhas amigas – e muita gente não sente. O que nos preocupa é o que vamos sentir com a repercussão dessa declaração, pois você vai escutar muitas reclamações. Mas quem tem problemas graves enfrentando o preconceito nesse meio somos nós.

Acho que tá na hora de uma desconstrução.

Beijuxxgg ❤

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