Gorda de biquíni? Que coragem!

Estava arrumando umas fotos antigas quando me vi em uma delas adolescente em uma praia de Floripa, usando meu primeiro biquíni. Como eu estava super diferente – na foto eu tinha cabelão e hoje eu sou tipo CARECA – eu resolvi mostrar para umas pessoas que hoje convivem comigo para ver o quanto eu estava diferente. E pasmem, mesmo que meu cabelo esteja diferente muito além do só as pontinhas, a única coisa que notaram é que, mesmo gorda, eu estava uns 20kg mais magra.

Entre vários olhares e resmungos, as pessoas diziam categoricamente que eu estava mais magra, que eu deveria voltar a ser daquele jeito e uma pessoa disse:

Você de biquíni? Que coragem!

Realmente, como era meu primeiro biquíni eu não tinha noção alguma de moda e eu concordo que ele era feio – embora seja mil vezes melhor do que os atuais neon de franjas – mas eu gostava dele. Ah, desculpe. A crítica foi ao meu corpo! Pois é. Isso acontece.

Por mais que eu não me importe hoje em dia com esse tipo de crítica e não veja nenhuma coragem ali – afinal eu comprei um biquíni e vesti, sem precisar enfrentar uma cerca elétrica ou pular sobre um lago cheio de crocodilos famintos pendurada em um cipó – eu ainda tento lembrar daquele sentimento que me acompanhava quando eu ainda não tinha aceitado o meu corpo como hoje em dia, quando eu tinha vergonha da minha barriga gorda, das minhas estrias, minhas coxas com celulite e meus seios caídos. Eu lembro porque ainda existem muitas moçoilas que sentem o que eu sentia. E isso não é nada legal!

Tess
Tess Holliday

Uma coisa muito clara é que, embora pelo menos 50% da população seja gorda, é o padrão estético europeu que a mídia tenta nos empurrar todos os dias. E muita gente ainda não tem coragem de enfrentar a ditadura da beleza.

Ter personalidade, amor próprio e assumir isso perante o mundo é de fato um ato de coragem em uma cultura tão engessada e pseudolibertadora como a nossa. Dizem para as mulheres que devem ser sexy sem ser vulgar, que podem ser grandes empreendedoras mas não podem se masculinizar, entre outras bobagens e regras disfarçadas de dicas para mulheres que a gente encontra por aí.

De qualquer forma, nós mulheres somos condicionadas a correr atrás da perfeição desde que nascemos. Somos impostas para competir com outras mulheres e para não aceitar do jeito que estamos. Chego a ouvir as besteiras de que mulher nunca está satisfeita consigo mesma, ou a loura quer ser morena e a morena quer ser loura, como se dar uma mudada na aparência e se divertir com tamanhos, texturas e cores diferentes de cabelo significasse a falta de aceitação pessoal.

Encontramos espalhados nas prateleiras das livrarias milhares de livros considerados best sellers que incentivam, apoiam, condicionam ao emagrecimento com dietas restritivas se dizendo saudáveis, quando na verdade são venenosas para o corpo. Se bem que best seller, ao pé da letra, significa que vende melhor e em um mundo onde você é condicionado a acreditar que a felicidade só se alcança com a magreza, qualquer livro-dieta se tornaria um desses aí – o que não quer dizer que o livro seja de qualidade. Com esse tipo de literatura entre os mais vendidos, não me admira pessoas me dizendo que sou corajosa em usar, assumir e ainda registrar momentos de biquíni e pura felicidade.

Estamos completamente cercadas pela mensagem obsessiva das dietas. Se você der um Google na palavra-chave “dieta” e em “ame seu corpo”, o resultado será muito diferente. Fora as imagens que mostram na maioria das vezes uma pessoa de branco comendo frutas ou saladas completamente feliz.

dieta ame seu corpoCom uma diferença de 993.270.000 resultados, não me admira que essas pessoas que amam seu corpo e enfrentam os padrões ousando se amar e usar o que bem entende sejam tidas como corajosas.

Mas, como a mídia é perseguidora de dinheiro, claro que ela entrou no que eu vou chamar de modinha do politicamente correto, que consiste basicamente em dizer por aí “olha como eu te aceito não tenho preconceito” e colocar um monte de fotos, mas nunca terminar uma matéria, post ou qualquer outra coisa sem um “mas é importante cuidar da saúde”, ou um “OBS: Não incentivamos a doença”, ou “Incentivamos a saúde” (mas esqueceram de postar isso no post sobre “cervejarias do mundo” lembrando que consumo de álcool pode se tornar dependência), ou outra frase que exponha seu preconceito. Em resumo, é um falso politicamente correto só para inglês ver. A prova disso são os posts que, depois de encher de regras a sua roupa de praia a ponto de sobrar as opções burca ou escafandro, me vem uma imagem assim:

moda plus size
Desculpa mas isso não é plus size… MESMO! Fora que tá cheio de edição aí, coitada da guria.

Se as pessoas acham que é um ato de coragem enfrentar todo esse preconceito, não ligar, ousar ser nós mesmas e nos amar do jeitinho que somos é, então sim somos muito corajosas. Temos coragem de dizer NÃO para a mídia, de dizer NÃO para quem quer que a gente se sinta mal, de dizer NÃO, EU NÃO VOU ME ODIAR, OBRIGADA PELO SEU ESFORÇO.

jess
Esta sim é uma belíssima gordinha de biquíni, meu bem! Gatíssima amiga minha Jess! So much luv

 

 

Não sou obrigada a nada. Especialmente me esconder.

Tati1

Fica dica da cantora diva lacradora Tatiana: Pare de odiar seu corpo!

Beijuxxgg pra vcs ❤

Anúncios

Um comentário

  1. Pensei que só eu odiava biquíni de franjas e neon. hauhauhaa
    Agora em uma coisa eu tenho que concordar, essa propaganda de moda plus size não é PS nem aqui nem na China! Odeio isso, editam tudo, mostram uma mulher com um corpo que não existe! Odeio tanto quanto eu odiei quando pegaram modelos PS e fizeram photoshop nelas, coisa mais ridícula! Deixa a mulherada ser feliz com o que tem mídia lixo!

    Curtir

Os comentários estão desativados.